2.5.07

As Três Marias

Três Marias no céu,
Três marias na barriga
Percorridas por dedos e língua.
Saudades dos desejos, dos corpos trêmulos de paixão.
Quisera sentir novamente o sangue traduzindo o fogo e o medo da revelação do segredo.
Depois me perdi de mim.
Hoje, apenas solidão.
Três Marias no céu.
Três Marias na barriga.

ARROGÂNCIA

Não posso deixar de pensar nos políticos quando falo ‘arrogante’.
Na hora do pega, colocam a máscara do bonzinho e saem pelas casas e pelas ruas suplicando votos. Depois de eleitos, passam álcool nas mãos a cada contato com o eleitor.
Também me lembro dos preconceituosos que se acham melhor que os outros por causa da cor. Ouvi noutro dia uma discussão sobre como os negros são feios e menos inteligentes que os brancos. Fiquei com o estômago embrulhado. E olha que eram pessoas educadas, bem sucedidas profissionalmente. Claro que brancas. Lembrei-lhes que geneticamente somos quase iguais às moscas e praticamente idênticos aos macacos. As raças não levam a superioridades. Arrepio-me só de pensar em Hitler com a raça ariana. E isso ainda acontece no século XXI. Acho que o cara lá de cima não deve estar muito satisfeito com o que a gente anda fazendo por aqui. Está na hora de uma faxina geral mesmo. Que venha o Apocalipse!

25.4.07

Ficando nua

Esse negócio de ser escritora é bem mais complicado do que parece. Resolvi assumir este caminho e achei que estava pronta para me revelar. Na hora que acontece uma olhada lá dentro de sua alma por uma pessoa que você nunca viu, o bicho pega. Um texto meu que fala sobre o feminino está publicado na internet e, claro, com a possibilidade de comentários.
Li, outro dia, a observação de um leitor que elogiava o tal texto ‘é lindo, lindo mesmo’, pontuava que havia ficado incomodado com a trajetória profissional da autora que buscou tantas coisas fora de si mesma e se perguntava se o mergulho para dentro dela não daria mais resultados.
No momento em que li a sugestão fiquei chateada e pensei ‘esse cara não sabe nada de mim, da minha inquietação intelectual, das dificuldades e desafios que tive que vencer para hoje conseguir escrever sobre o feminino do jeito que escrevi’. Senti-me invadida. Depois, refletindo com calma, vi que havia muito de verdade no que ele havia escrito. Mas, caro leitor, tive que ralar muito para descobrir isso, que para você foi tão óbvio.
Diante dessa situação, percebi que o texto não revela tudo do autor e que vai diretinho dentro da alma de quem o lê e que o completa.
É difícil ser vista por inteiro através de um texto que é sempre um recorte do que penso e sinto. É difícil desnudar-me para estranhos. Estou experimentando, bem devagar, bem devagar, bem devagar.

27.3.07

O Feminino vive aqui.

Há algum tempo trabalhamos com grupos de mulheres e também aprendemos com nosso próprio caminhar sobre a construção do feminino. Nascemos fêmeas, mas nos tornamos mulheres a partir das interações com nossos grupos culturais. E podemos garantir que as fêmeas do ocidente neste início do século XXI estão feridas.
No princípio dos tempos, as mulheres estavam em contato com sua natureza, viviam de acordo com seus ciclos e eram respeitadas na comunidade, pois sangravam, geravam novas vidas e nutriam os filhos. A natureza fornecia as metáforas para significação do papel das mulheres: geravam e nutriam, tal qual a Mãe Terra; sangravam de tempos em tempos, da mesma forma que a Lua. Também guardavam a memória de seu povo e transmitiam sabedoria através das histórias contadas ao redor das fogueiras.
Com a caça, a criação de animais em cativeiro, as guerras, os machos puderem contribuir mais para a sobrevivência dos grupos e colocaram as fêmeas no lugar de ‘receptoras’ da vida que era gerada por eles. As mulheres, desvalorizadas, voltaram-se para a escuridão, assim como toda a sociedade.
De deusas a escravas. Esta foi a trajetória que as mulheres realizaram e na qual viveram durante muito tempo. Nos anos 1960, depois que o mundo precisou de sua mão-de-obra devido às guerras, as mulheres fizeram-se ouvir novamente: queimaram sutiãs, tomaram pílulas, disseram sim ao sexo livre, foram para o mercado de trabalho, conquistaram os direitos que só os homens tinham.
Para transitar no mundo masculino, as mulheres saíram de casa, vestiram terninhos, investiram com toda força na formação profissional e conquistaram o sucesso. Para isso, desconectaram-se de sua natureza primitiva, pois não poderiam disputar em pé de igualdade os espaços de trabalho com os homens se fossem respeitar o ciclo menstrual – as variações hormonais são enormes - e a necessidade de cuidar e alimentar as crias – como toda fêmea, têm os sentidos aguçados na fase que precisam cuidar dos bebês. Para não se sentirem inferiores aos homens, assumiram a forma masculina de ver o mundo, traíram sua essência e renunciaram à energia feminina. Pagaram um preço alto, muito alto.
Os homens ficaram assustados com as transformações. Exigiram que além do sucesso na vida pública, assumissem as tarefas da vida familiar e, assim, as mulheres tiveram que dar conta do trabalho, da casa, dos filhos, do marido. Claro que não conseguiram segurar a onda e surgiu a sensação de fracasso. Mulheres que investiram na vida profissional, sentiram-se fracassadas no lar. Mulheres que ficaram em casa, sentiram-se envergonhadas por não terem um diploma, um emprego, um salário. Todas se sentiram inadequadas.
Surgiram anúncios de absorventes que dissimulavam a menstruação, de celulares que permitiam uma conexão integral com os filhos em casa, de escolas que possuíam câmeras para que mães acompanhassem o dia a dia dos filhos. Surgiram o microondas, o fast food, o instantâneo.
Passamos a viver no mundo do artificial. Fugimos do natural. Vivemos mais felizes? Pesquisas indicam que crianças que ficam mais tempo longe das mães se tornam adultos mais violentos. Os consultórios de Psicologia estão abarrotados de crianças que se identificam com motoristas e babás, pois os pais estão ausentes, numa luta incessante para conquistas de novos bens materiais. Governos ampliam o período da licença maternidade para garantir uma vida mais saudável para seus membros, tanto psíquica quanto emocionalmente, na tentativa de diminuição dos custos com a saúde pública.
Percebemos que tomamos o caminho errado. Destruímos o planeta e a natureza nos ensinou que não somos superiores a outras formas de vida que compartilham conosco a Terra. Estamos, sim, todos interligados: árvores, rios, animais, rochas e seres humanos. O mito dos deuses humanos ruiu. É preciso que nos reconectemos com a natureza, que escutemos seus sinais. Não podemos experienciar um novo tsunami, onde só animais –os elefantes, por exemplo – percebem a eminência da catástrofe; precisamos reaprender a ler o mundo.
Acreditamos que um novo tempo já está sendo construído e o feminino renascerá em cada mulher, em cada homem, levando-nos de volta para casa, para a natureza. Como no princípio dos tempos, teremos como guias neste novo caminhar, as fêmeas reverenciando, sem vergonha e sem culpa, o Sagrado Feminino. As mulheres não mais imitarão os homens. Ensinarão com alegria que todo o Universo pulsa sempre no ritmo da vida. O feminino renascerá aqui.

“Viver é pulsar. É ser canal para que a Energia Cósmica faça – através de nós – o seu trabalho no mundo”. Sandra Celano

21.3.07

Filme

Olhava pela janela do quarto e já sentia saudades daquela paisagem tão familiar. Não esqueceria as árvores, o céu azul, o canto do bem-te-vi, o barulho do mar, o cheiro de maresia. Onde encontraria de novo o colorido do jardim? Onde o vento sopraria com tanta suavidade? Onde o sol aqueceria seu corpo?
Suas forças já se esvaíam. Chegara a hora de ir embora. Não queria mais ficar. As dores estavam insuportáveis e sabia que o fim, qualquer que fosse ele, aliviaria o sofrimento. Entregou-se. Fechou os olhos, respirou e partiu.
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Descobriu-se numa grande sala. De repente, à sua frente, uma enorme tela de cinema. Sem conseguir compreender o que estava acontecendo, viu sua vida começar a ser projetada, com direito a sons, imagens, cheiros, sabores e sensações. Tudo se repetindo, só que muito rápido. Percebeu como deixou de aproveitar momentos preciosos, como se descabelou por tão pouco. Viu-se pequena, encantando-se com o mundo que descobria. Ouviu seus sonhos da juventude. Experimentou o cheiro de café vindo da cozinha e sentiu o gosto da sopa de feijão preparada para seus filhos. Reviu todas as pessoas que foram importantes em sua vida. Família, amigos, amores. Também viu quanto os magoou com palavras duras. Passeou pela casa da infância, tomou banho de cachoeira, mergulhou no fundo do mar. Aos poucos foi compreendendo como endurecera, como deixara que as dificuldades tirassem o brilho que tinha nos olhos. Como fora boba. Olhando-se assim, de fora, sentiu uma enorme compaixão pela mulher que fora. Prometeu para ela que numa próxima oportunidade não repetiria os mesmos erros e, principalmente, não teria medo da vida.

6.3.07

Mulher comum

Interessante o que senti vendo as mulheres na reunião da empresa que vende produtos de beleza. Mulheres comuns, sem tanta intelectualidade, sem tanta elocubração. Mas senti, ali, a essência da energia feminina: força, garra, esperança, alegria. Quantos sonhos enchiam aquela sala! Ao mesmo tempo havia tantas feridas no feminino! A líder do grupo estava longe de ser uma deusa.
Deve ser difícil coordenar mulheres, vender para mulheres e não estar em paz com a mulher que se reflete em sua face. Estou feliz por me tornar uma mulher comum. Que fantasias faço a esse respeito? Quero ser amada, desejada, protegida como uma mulher qualquer (não seria melhor, comum?).

27.2.07

Minha mangueira

Moro em um apartamento que tem como vista da varanda a copa de uma mangueira. Sempre me encantei com o presente que esta árvore maravilhosa me dá. Sinto-me privilegiada por viver um pouco numa árvore. Participo da sua floração; vejo os pássaros namorando e fazendo seus ninhos; ouço o zumbido dos insetos; aprecio o voltar para casa das aves nos finais de tarde. E, chupo suas doces mangas. Realizo o sonho de criança de ter uma casa na árvore.
Essa minha amiga também é testemunha de minha vida. Esperou comigo o meu primeiro bebê. Deu-me sombra para que pudesse dar leite para meus filhos. Fez-me companhia nas madrugadas enquanto ficava acordada embalando-os na cadeira de balanço. Também me colocou em transe quando deitada na rede devaneava para mundos só meus.
O canto do vento em suas folhas já foi canção de amor e também já levou beijos de saudades. Como conhece minhas lágrimas, meus segredos, meus sonhos e esperanças, esta minha amiga.
Quando me sinto em labirintos sem saída, contemplo suas raízes, firmes, fortes, e, tal qual as inúmeras trepadeiras que compartilham sua seiva vital, sugo um pouco da solidez, da firmeza e da paz que ela emana e minha esperança por dias melhores retorna.

22.2.07

Coração na ponta do lápis

Noutro dia ouvi uma moça jovem, recepcionista de uma clínica mixuruca que realiza exames de sanidade mental para quem quer ter uma carteira de motorista, dizer que adorava escrever, pois escrever era para ela como colocar o coração na ponta do lápis. Fiquei encantada com a expressão - colocar o coração na ponta do lápis - e com a ingenuidade e força de sua autora. Deu-me uma inveja danada. Será que eu teria coragem de colocar meu coração numa ponta de lápis? Poderia o meu coração tornar público seus segredos? Um simples lápis poderia retirar todas as máscaras que uso para ir levando a vida e revelar-me para mim mesma? Lembrei-me de Vinicius de Moraes. O lápis dele tinha o seu coração na ponta. O coração do poeta não tinha medo. Exercia plenamente sua função e amava, e amava e amava, sempre, infinitamente, enquanto durasse o amor. Já o meu, cheio de medos, anda meio envergonhado, preso, sem liberdade de expressão. Nem chorar ele tem conseguido. Pode um coração amar e não sofrer? Será que vale a pena não sofrer e não amar? viver a vida morninha, sem o calor de um grande amor e quando a morte chegar, olhar para trás e perceber que a vida de verdade não foi vivida e sim, perdida?

12.2.07

Apocalipse?

Meu filho veio fazer uma entrevista para a escola e me perguntou qual tinha sido a notícia que mais havia saído na mídia durante a semana. Lembrei-me do caso do menino que foi arrastado por bandidos. Minha filha lembrou-se dos 100 anos do Frevo. Meu outro filho lembrou-se do relatório sobre o caos que a humanidade instalou no meio ambiente.
À noite um programa de televisão trouxe o caso do menino, mais uma vez, exibindo entrevista com seus pais.
Fiquei pensando que estamos prestes a assistir a morte de milhões de pessoas por fome, sede, inundações, terremotos, furacões e tsunamis e quase não refletimos sobre isso. O que nos afasta deste fato? Medo, negação, alienação, descompromisso? Por que a morte de uma única pessoa nos comove mais do que a morte de milhões? Não pude deixar de perceber a importância da mídia na manipulação de nossas percepções de mundo. Mas acredito que há o fato de nos perdermos na massa e nos identificarmos com a singularidade. Também fica mais fácil culpar o bandido pela morte da criança do que nos responsabilizarmos pela destruição do planeta e pela morte de seres vivos.
O Apocalipse chegou não porque estamos sendo castigados pelos deuses mas porque não respeitamos a natureza. Triste, não?

9.2.07

Chegara a hora

Parecia que estava voltando de um transe. Sempre acontecia assim quando lia algum texto que sua alma ouvia. Depois da leitura, sentia um sono irresistível e seu corpo adormecia para sua alma sair e aprender em outros mundos. A leitura era apenas a forma de iniciar a aprendizagem.
Lembrou-se de uma época em que vivia com sacerdotisas no alto de uma colina, perto do mar e da floresta. As mulheres eram verdadeiras deusas e sabiam muitos segredos como a cura com ervas ou ainda como prever o futuro olhando a água numa bacia. Era uma delas.
Agora, todo esse conhecimento estava sendo relembrado e, assustada com as implicações que essa descoberta teria em sua vida, desejou esquecer o que via e acordou.
Mas o sonho tinha sido nítido demais e seu coração batia descompassado.
Sabia que teria que reassumir suas funções de sacerdotisa, guiando, curando, orientando e protegendo as mulheres do seu tempo para que a energia da Deusa pudesse fluir livre novamente.
Pensou em sua família. O que diriam seu marido, seus filhos quando lhes dissesse que teria que partir, que não pertencia apenas àquela família, mas que servia à Deusa e Ela a havia chamado para realizar o trabalho que se comprometera antes de vir para Gaia desta vez?
Fazendo uma retrospectiva, percebeu que sua caminhada sempre havia sido conduzida por uma energia maior. Estava livre das obrigações e fardos mundanos, pronta para cuidar de si e de sua tarefa. Havia encerrado suas atividades profissionais anteriores para começar um novo ciclo. Seus pais, que dependiam dela devido às doenças que apresentavam, já tinham morrido. Seus filhos estavam crescidos e já não cobravam uma assistência contínua. E seu marido, como reagiria?
Viajou no tempo e viu-se criança na escola liderando um grupo de meninas. Sua primeira profissão foi numa área reservada aos homens. Mas, a Deusa necessitava que tivesse sucesso no universo masculino para que fosse respeitada por eles e que não tivesse medo da força dos homens, já que havia sido agredida outras vezes em outras vidas. Depois veio a exuberância da sexualidade e a maternidade a fez olhar o mundo de outra forma. Voltou-se para o universo feminino e mudou seu enfoque profissional. Aos poucos, a Deusa foi se aproximando e quando Se revelou completamente sabia que não poderia mais negar suas origens.
Como faria isso em pleno século XXI? Como realizar rituais que não assustassem as mulheres que ainda estavam adormecidas? Fez suas perguntas e pediu-Lhe orientação.
A resposta veio nítida: seus dons de sacerdotisa seriam manifestados através da arte, a arte seria a ponte que ligaria seu mundo ao Sagrado.
Seria escritora, claro. Era por isso que desde pequena adorava ler, escrever e passava horas em bibliotecas. A Deusa a havia conduzido até ali. Havia chegado a hora.

OBS: Imagem do Tarô da Deusa Tríplice.

8.2.07

Parabéns pra você!

Estávamos na Sibéria, numa noite fria, com temperatura de quase quarenta graus abaixo de zero. Éramos portugueses, italianos, chilenos, russos e brasileiros. Nosso encontro tinha como objetivo a aprendizagem dos conhecimentos dos xamãs siberianos. Não entendíamos as línguas dos outros e nos comunicávamos pela linguagem corporal e pela energia. Descobrimos que era o aniversário de um dos participantes e começamos a bater palmas no ritmo de “Parabéns pra você”; depois começamos a cantar a mesma música entoando lá-lá-lá; em seguida, cada um em sua língua nativa, continuamos cantando essa melodia que se tornou universal. Havia muitos sorrisos, abraços e alegria.
Emocionei-me quando percebi a conexão que existia entre todas as pessoas que estavam ali. Vínhamos de lugares tão diferentes, com culturas diversas, mas respeitávamos uns aos outros. Sonhei, então, com um mundo em paz.

Os russos dizem que o mantra oficial dos brasileiros é ALEGRIA. Dizem que não entramos em contato com a morte, pois não temos o inverno rigoroso que eles têm e que nossa natureza é abundante em cores, cheiros e diversidade. Ficam impressionados com a liberdade que temos para vivenciarmos nossas crenças e se encantam com nosso ecletismo religioso. Freqüentamos a missa, passamos por um terreiro de macumba, vamos a um centro espírita e praticamos a meditação budista, sem problema algum.
Lembrei-me de nossa história, da constituição do povo brasileiro na miscigenação das raças. Lembrei-me da imensidão de nosso território com características geográficas tão contrastantes. Lembrei-me de nossos sotaques, de nossa culinária, de nossa música. Lembrei-me do mar, do cheiro de terra molhada, das cores e dos cantos dos pássaros. Lembrei-me das cachoeiras, das árvores, das onças. Lembrei-me do fundo do mar cheio de corais e de peixes coloridos, numa outra dimensão. Lembrei-me da saudade do Cruzeiro do Sul, sentida por Vinicius de Moraes quando estava no exílio. E, aí, lembrei-me do povo brasileiro, cheio de coragem, de fé e de esperança e, principalmente, cheio de alegria. Então, como Vinicius, chorei de saudade.
Ao descer do avião, todo o grupo de brasileiros cantava “moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza... e que beleza!”.
ALEGRIA!

7.2.07

Mulher macho?

Tenho lido muito sobre mulheres. Estou começando meu trabalho de pesquisa sobre as mulheres pernambucanas. Quero saber o que sentem e o que pensam sobre o fato de terem nascido fêmeas e terem aprendido o que é ser uma mulher, em diferentes locais e em tempos de vida também diferentes.
Fiquei pensando sobre o que teria me motivado a buscar essas respostas e me lembrei de uma história contada pela minha mãe (Freud explica, claro).
Tive uma tataravó, moradora do interior pernambucano, que descobriu que seu marido estava tendo um caso amoroso com uma moça da região. Mandou seus capangas pegarem a tal amante, fez uma mistura com ervas, sal e pimenta e colocou tudo isso na periquita da mulher. Depois cortou os cabelos dela para que todos soubessem que era uma mulher sem-vergonha.
Foi denunciada na delegacia e quando chegou a intimação mandou meu tataravô ir até lá resolver a questão.
Durante muito tempo essa história foi contada com orgulho, pois demonstrava a força e a coragem das mulheres de nossa família. Será?