Nem sei dizer há quanto tempo fui a uma missa no interior. Hoje, ao participar de uma, deu-me uma enorme saudade da infância, saudade da minha mãe e dos tempos em que ouvia ‘Deus te abençoe’.
A missa está diferente. Muitos jovens, que cantam e fazem coreografia. Os mais velhos ficam quietos como se lembrassem de que sem eu tempo a missa era celebrada em latim e as mulheres tinham que usar véu.
Encantei-me com uma senhora de lindos cabelos brancos. Tive vontade de reverenciá-la e ela ainda achava humildade para se ajoelhar e pedir perdão.
O padre não merecia seu rebanho. Parecia um rei, ditava ordens e conselhos, foi grosseiro. Enfim, prepotente. Bem longe do amor pregado por Jesus.
Percebi que a missa numa cidade de interior é um evento social – tivemos até Parabéns para você.
É bonito o ritual, o som do sino a ecoar pela cidade, convocando todos para um encontro com o sagrado.
Apesar dessa possibilidade, não consigo deixar de ficar incomodada com o conceito de pecado que as religiões trazem. Pregam que só através delas há salvação
Não sinto assim. Conecto-me com o Sagrado toda vez que me permito o sentimento do Uno.
Venho aprendendo novas formas de ler o mundo. Agora, através da literatura, a arte tomou posse de minha alma. O Caleidoscópio é um brinquedo que muda a configuração de uma mandala a cada novo movimento. Acho que sou um Caleidoscópio.
21.12.07
15.12.07
Carta para uma amiga
Vi uma escritora lançando um livro em que assumia a identidade de vários personagens e escrevia cartas. Resolvi imitá-la e vou escrever uma carta a partir do lugar de uma mulher de 40 anos que acabou de se separar.
Querida amiga Moni:
Acabei de me separar e, pasme, nossos amigos estão chocados com minha atitude. Como você já sabia, há algum tempo eu vinha tentando salvar meu casamento. Augusto é uma pessoa muito legal, mas sempre exigiu de mim uma subserviência que ficava difícil de manter. Até que tentei e pedi demissão do meu trabalho só para ficar disponível para ele. Não havia carinho, não havia cumplicidade nem companheirismo. Esforçava-me para agradá-lo e sempre vinha uma patada. Desse jeito ficava muito complicado fazer amor e o meu tesão andava lá embaixo.
O nosso Réveillon, um caos; o Carnaval, sem alegria; a Páscoa, não teve doçura; o São João, cheio de lágrimas e o Dia dos Namorados foi repleto de solidão. Ainda teve aquela paixão de Augusto por nossa vizinha e ele vivia fazendo mimos para ela e me obrigando a carregar cadeira e a pegar cerveja gelada. Não o responsabilizo pela crise. Eu, apenas eu, deixei as coisas chegarem aonde chegaram. Há uns meses ele avisou aos nossos amigos, os mesmos que estão me atirando pedras, que iria sair de casa; depois, desistiu e tudo foi esquecido.
A tristeza foi tomando conta de minha alma e cheguei a desejar minha morte para que ele sentisse o quanto eu era importante em sua vida. Tantas e tantas vezes lhe disse que enquanto eu estivesse brigando pelo casamento teríamos alguma chance, mas quando eu jogasse a toalha seria realmente o fim. Não acreditou.
Resolvi que queria mais da vida, que queria mais de um casamento e pus um ponto final nessa história. Aí, acordou para Jesus. Prometeu ser o melhor marido do mundo, reconheceu todas as grosserias, assumiu que morria de ciúmes de mim e por isso me agredia, me disse que eu era a mulher mais gostosa e maravilhosa que poderia existir, chorou, chorou e sonhou que tudo iria ser diferente. Fiquei arrasada porque era isso que eu desejava antes, mas nesse momento o meu coração não estava mais preenchido por ele. Não consegui dar mais uma chance.
Os nossos amigos e amigas surtaram. Acusaram-me de estar traindo a instituição família, de estar provocando sofrimento nos meus filhos. Deram colo para Augusto e me deixaram só.
As coisas pioraram quando me envolvi com um homem maravilhoso que havia conhecido no meu antigo trabalho. Chegaram a sugerir que eu tivesse um caso, que não precisava acabar o casamento por causa de uma aventura, isso sugestão das amigas, claro, pois os homens sentiram-se traídos. Ninguém acreditou que esse meu novo amor não tinha sido meu amante, com exceção do meu ex-marido, dos meus filhos e dos meus pais. Incrível, né?
Só que eles sabem que eu jamais viveria uma situação assim. Talvez, algumas das mulheres tenham ficado chateadas porque não tiveram a coragem que eu tive. Ah! E que você também teve, afinal você foi a primeira a se posicionar assim.
Agora, amiga, o que me magoou e ainda me magoa é que esses meus amigos homens tiveram o meu apoio em todos os momentos que viveram, inclusive quando entraram em crise nos casamentos, apaixonaram-se por suas amantes. Ajudei ainda suas mulheres, escutando-as e dando aquela força para validar o amor entre eles. Isso tudo foi jogado na lata do lixo.
Além disso, temos quase 40 anos de amizade e muitas, muitas histórias juntos. Enfrentamos mortes de pai, mãe, irmãos, nascimentos e doenças de filhos, aniversários, festas, velórios. Foram tantos os momentos vividos lado a lado.
É uma pena que a vida tenha colocado experiências desse tipo no meu caminho. Mas estou vivendo um momento muito mágico, cheinho de amor, alegria, tesão, cumplicidade, paz, carinho, enfim, tudo que sempre acreditei mas que achava que não aconteceria mais em minha vida. Presentão da Deusa, né?
Um beijo carinhoso.
Tital
Querida amiga Moni:
Acabei de me separar e, pasme, nossos amigos estão chocados com minha atitude. Como você já sabia, há algum tempo eu vinha tentando salvar meu casamento. Augusto é uma pessoa muito legal, mas sempre exigiu de mim uma subserviência que ficava difícil de manter. Até que tentei e pedi demissão do meu trabalho só para ficar disponível para ele. Não havia carinho, não havia cumplicidade nem companheirismo. Esforçava-me para agradá-lo e sempre vinha uma patada. Desse jeito ficava muito complicado fazer amor e o meu tesão andava lá embaixo.
O nosso Réveillon, um caos; o Carnaval, sem alegria; a Páscoa, não teve doçura; o São João, cheio de lágrimas e o Dia dos Namorados foi repleto de solidão. Ainda teve aquela paixão de Augusto por nossa vizinha e ele vivia fazendo mimos para ela e me obrigando a carregar cadeira e a pegar cerveja gelada. Não o responsabilizo pela crise. Eu, apenas eu, deixei as coisas chegarem aonde chegaram. Há uns meses ele avisou aos nossos amigos, os mesmos que estão me atirando pedras, que iria sair de casa; depois, desistiu e tudo foi esquecido.
A tristeza foi tomando conta de minha alma e cheguei a desejar minha morte para que ele sentisse o quanto eu era importante em sua vida. Tantas e tantas vezes lhe disse que enquanto eu estivesse brigando pelo casamento teríamos alguma chance, mas quando eu jogasse a toalha seria realmente o fim. Não acreditou.
Resolvi que queria mais da vida, que queria mais de um casamento e pus um ponto final nessa história. Aí, acordou para Jesus. Prometeu ser o melhor marido do mundo, reconheceu todas as grosserias, assumiu que morria de ciúmes de mim e por isso me agredia, me disse que eu era a mulher mais gostosa e maravilhosa que poderia existir, chorou, chorou e sonhou que tudo iria ser diferente. Fiquei arrasada porque era isso que eu desejava antes, mas nesse momento o meu coração não estava mais preenchido por ele. Não consegui dar mais uma chance.
Os nossos amigos e amigas surtaram. Acusaram-me de estar traindo a instituição família, de estar provocando sofrimento nos meus filhos. Deram colo para Augusto e me deixaram só.
As coisas pioraram quando me envolvi com um homem maravilhoso que havia conhecido no meu antigo trabalho. Chegaram a sugerir que eu tivesse um caso, que não precisava acabar o casamento por causa de uma aventura, isso sugestão das amigas, claro, pois os homens sentiram-se traídos. Ninguém acreditou que esse meu novo amor não tinha sido meu amante, com exceção do meu ex-marido, dos meus filhos e dos meus pais. Incrível, né?
Só que eles sabem que eu jamais viveria uma situação assim. Talvez, algumas das mulheres tenham ficado chateadas porque não tiveram a coragem que eu tive. Ah! E que você também teve, afinal você foi a primeira a se posicionar assim.
Agora, amiga, o que me magoou e ainda me magoa é que esses meus amigos homens tiveram o meu apoio em todos os momentos que viveram, inclusive quando entraram em crise nos casamentos, apaixonaram-se por suas amantes. Ajudei ainda suas mulheres, escutando-as e dando aquela força para validar o amor entre eles. Isso tudo foi jogado na lata do lixo.
Além disso, temos quase 40 anos de amizade e muitas, muitas histórias juntos. Enfrentamos mortes de pai, mãe, irmãos, nascimentos e doenças de filhos, aniversários, festas, velórios. Foram tantos os momentos vividos lado a lado.
É uma pena que a vida tenha colocado experiências desse tipo no meu caminho. Mas estou vivendo um momento muito mágico, cheinho de amor, alegria, tesão, cumplicidade, paz, carinho, enfim, tudo que sempre acreditei mas que achava que não aconteceria mais em minha vida. Presentão da Deusa, né?
Um beijo carinhoso.
Tital
30.11.07
Será uma novela?
Tenho uma amiga-irmã que diz que não assiste mais as novelas da TV porque os autores não têm imaginação, já que minha vida é muito mais imprevisível que qualquer novela. Exageros à parte, até que tenho vivido experiências ricas em emoção.
Casei-me a primeira vez aos 23 anos achando que seria para sempre. Ledo engano. Quatro anos após a festa estava separada e com uma filha de um ano e meio para cuidar. Vivi momentos difíceis, tive medo de não conseguir dar conta de tudo. Sobrevivi. Depois, envolvi-me com um grande amigo, engravidei, abortei – conto depois -, casei com ele, tive mais dois filhos e estivemos juntos por dezessete anos. Separei-me há pouco tempo. O engraçado dessa parte da história é que no filme do meu primeiro casamento ele aparece ao lado da esposa; os meus pais foram padrinhos do casamento dele. Éramos amigos de infância e até já frevamos juntos numa homenagem aos pais. Nunca imaginei que pudesse ser meu marido algum dia. Mas a gente não sabe o que o futuro nos reserva e isso é fantástico.
Há uns cinco anos o meu Príncipe Encantado, meu primeiro e único namorado – minha filha diz que sou a única mulher que ela conhece que só teve um namorado e três maridos – me procurou, via internet, e disse que sentia muito a minha falta, que sempre se lembrava de mim e que queria saber como eu estava. Fazia quase vinte e cinco anos que não nos víamos. Quase desmaiei na hora que vi o mail. Trocamos vários, nos falamos por telefone algumas vezes, mas continuamos sem pôr os olhos um no outro. Ele se separou, casou-se novamente. Eu me separei, casei novamente. Ma s a vida nos manteve distante.
Noutro dia, um pouco antes de minha separação, estava muito triste num shopping e resolvi tirar minhas alianças e ver como ficaria minha mão sem elas. Só que havia chorado muito e tinha tirado os óculos, pense numa mulher cega. Ele passou, olhou muito para mim, eu olhei para ele, mas não o vi. E eu estava sentada numa mesa colada à mesa dos filhos dele, tinha conversado com eles e tudo. De repente, senti meu coração disparar e intui que era ele. Minha amiga, que havia ido ao banheiro, procurou por ele com o olhar e o achou, ainda lívido com a situação. Não nos falamos.
Eu teria uma reunião logo após o almoço com um amigo para planejarmos uma palestra. Claro que o trabalho não rolou, pois estava descompensada. Meu amigo riu muito com a história, deu-me colo e hoje estamos juntos, vivendo o maior amor do mundo. E ainda dizem que a vida imita a arte. Até que minha amiga tem razão!
Casei-me a primeira vez aos 23 anos achando que seria para sempre. Ledo engano. Quatro anos após a festa estava separada e com uma filha de um ano e meio para cuidar. Vivi momentos difíceis, tive medo de não conseguir dar conta de tudo. Sobrevivi. Depois, envolvi-me com um grande amigo, engravidei, abortei – conto depois -, casei com ele, tive mais dois filhos e estivemos juntos por dezessete anos. Separei-me há pouco tempo. O engraçado dessa parte da história é que no filme do meu primeiro casamento ele aparece ao lado da esposa; os meus pais foram padrinhos do casamento dele. Éramos amigos de infância e até já frevamos juntos numa homenagem aos pais. Nunca imaginei que pudesse ser meu marido algum dia. Mas a gente não sabe o que o futuro nos reserva e isso é fantástico.
Há uns cinco anos o meu Príncipe Encantado, meu primeiro e único namorado – minha filha diz que sou a única mulher que ela conhece que só teve um namorado e três maridos – me procurou, via internet, e disse que sentia muito a minha falta, que sempre se lembrava de mim e que queria saber como eu estava. Fazia quase vinte e cinco anos que não nos víamos. Quase desmaiei na hora que vi o mail. Trocamos vários, nos falamos por telefone algumas vezes, mas continuamos sem pôr os olhos um no outro. Ele se separou, casou-se novamente. Eu me separei, casei novamente. Ma s a vida nos manteve distante.
Noutro dia, um pouco antes de minha separação, estava muito triste num shopping e resolvi tirar minhas alianças e ver como ficaria minha mão sem elas. Só que havia chorado muito e tinha tirado os óculos, pense numa mulher cega. Ele passou, olhou muito para mim, eu olhei para ele, mas não o vi. E eu estava sentada numa mesa colada à mesa dos filhos dele, tinha conversado com eles e tudo. De repente, senti meu coração disparar e intui que era ele. Minha amiga, que havia ido ao banheiro, procurou por ele com o olhar e o achou, ainda lívido com a situação. Não nos falamos.
Eu teria uma reunião logo após o almoço com um amigo para planejarmos uma palestra. Claro que o trabalho não rolou, pois estava descompensada. Meu amigo riu muito com a história, deu-me colo e hoje estamos juntos, vivendo o maior amor do mundo. E ainda dizem que a vida imita a arte. Até que minha amiga tem razão!
29.11.07
Agora é pra valer
Desde que resolvi ser escritora fiquei com receio de que meus textos fossem muito narcísicos, já que meu mestre havia ensinado que devemos ter cuidado para não ficarmos falando só sobre nossa própria vida. Então, escondi-me atrás de pronomes impessoais, de sujeitos ocultos e de personagens. Mas sentia que isso demonstrava que ainda estava usando minha pele de asno, que ainda estava sem coragem de mostrar a minha cara.
Resolvi que agora é para valer. Vou postar fotos, vou me identificar, vou falar de mim, sim, da minha história, das minhas experiências, das minhas alegrias e das minhas dores. Acredito que isso vai dar mais intensidade aos meus textos, já que serão mais verdadeiros, e que muitas outras mulheres comuns, como eu, poderão também se ver neles.
Vamos lá! Agora esse blog vai ser movimentado. Começo postando minha foto.
Meu nome é Patrícia. Tenho 45 anos. Nasci no Dia da Criança e acho que fiquei marcada pela ingenuidade da infância para o resto da vida. Acredito de verdade em fadas, duendes, que tudo está vivo e interconectado. Pense numa mulher que acredita na sabedoria do Universo! Sou libriana e adoro o belo.
Vou apresentar-me através dos arquétipos das Deusas. A minha Ártemis adora o contato com a natureza. Amo mergulhar no mar quentinho do nordeste brasileiro – até bebo a água salgada! -, adoro o silêncio do vento, encanto-me com árvores e flores. Sinto que a natureza é a expressão da Divindade, não importa o nome que damos a Ela. Já a minha Afrodite é a Deusa que me guia. Só consigo ficar numa relação se estiver completamente apaixonada. Graças a ela tenho dois ex-maridos e vivo um amor mágico. Hera me torna uma boa anfitriã e uma guerreira quando se trata de conseguir um objetivo. Deméter me realiza como mãe de três filhos lindos e ainda como mãe do mundo. Atena me ajuda muito a usar meu QI acima da média e me inspira a estar sempre começando novos projetos. Perséfone me leva ao Paraíso e ao Inferno e me faz conhecer minha sombra. Integrando tudo, reverencio a Grande Deusa, que reúne toda sabedoria feminina. Sempre disse que nasceria como mulher todas as vezes que tivesse a chance de reencarnar.
Bom, por hoje é só.
Resolvi que agora é para valer. Vou postar fotos, vou me identificar, vou falar de mim, sim, da minha história, das minhas experiências, das minhas alegrias e das minhas dores. Acredito que isso vai dar mais intensidade aos meus textos, já que serão mais verdadeiros, e que muitas outras mulheres comuns, como eu, poderão também se ver neles.
Vamos lá! Agora esse blog vai ser movimentado. Começo postando minha foto.
Meu nome é Patrícia. Tenho 45 anos. Nasci no Dia da Criança e acho que fiquei marcada pela ingenuidade da infância para o resto da vida. Acredito de verdade em fadas, duendes, que tudo está vivo e interconectado. Pense numa mulher que acredita na sabedoria do Universo! Sou libriana e adoro o belo.
Vou apresentar-me através dos arquétipos das Deusas. A minha Ártemis adora o contato com a natureza. Amo mergulhar no mar quentinho do nordeste brasileiro – até bebo a água salgada! -, adoro o silêncio do vento, encanto-me com árvores e flores. Sinto que a natureza é a expressão da Divindade, não importa o nome que damos a Ela. Já a minha Afrodite é a Deusa que me guia. Só consigo ficar numa relação se estiver completamente apaixonada. Graças a ela tenho dois ex-maridos e vivo um amor mágico. Hera me torna uma boa anfitriã e uma guerreira quando se trata de conseguir um objetivo. Deméter me realiza como mãe de três filhos lindos e ainda como mãe do mundo. Atena me ajuda muito a usar meu QI acima da média e me inspira a estar sempre começando novos projetos. Perséfone me leva ao Paraíso e ao Inferno e me faz conhecer minha sombra. Integrando tudo, reverencio a Grande Deusa, que reúne toda sabedoria feminina. Sempre disse que nasceria como mulher todas as vezes que tivesse a chance de reencarnar.
Bom, por hoje é só.
30.10.07
Reencontro
Estava no alto de uma colina quando o vi pela primeira vez. Roupas comuns, barba e cabelos brancos, passos firmes e tranqüilos que o conduziam em minha direção. Neste momento senti o enorme amor que emanava de sua alma. Eu estava diante de um homem iluminado. Meu coração se encheu do mais profundo amor e ajoelhei-me em reverência à sua sabedoria. Estendeu sua mão e com uma voz doce me pediu para levantar, colocando-se como apenas humano. Num lampejo, enxerguei sua luz, humildade, coragem, força, doçura, carinho, ousadia, conhecimento, sensibilidade, uma imensa esperança e a fé inabalável na vida.
Em silêncio, agradeci ao Universo a oportunidade de compartilhar sua energia sagrada. Resolvi segui-lo, acolhê-lo carinhosamente em meu colo e ajudá-lo em sua missão. Fiquei feliz, plena e percebi que naquele instante eu tinha reencontrado a minha alma.
Em silêncio, agradeci ao Universo a oportunidade de compartilhar sua energia sagrada. Resolvi segui-lo, acolhê-lo carinhosamente em meu colo e ajudá-lo em sua missão. Fiquei feliz, plena e percebi que naquele instante eu tinha reencontrado a minha alma.
1.9.07
Pijama
Estava ela deitada em sua cama, aninhada em cobertas, lençóis, travesseiros e almofadas. Vestia um pijama rosa com bolinhas brancas que tinha escrito na blusa ‘eu gostaria de morar em seu coração’. Nos pés, meias com desenhos de ursinhos. Parecia uma adolescente e camuflava, assim, a sensualidade da mulher madura que era. Encantava-me apreciá-la em seu mundo mágico, rodeada de livros. Lia Clarice e ria e ria. Lia Florbela e chorava e chorava. A história das mulheres também lhe fazia companhia. Estava plena. Seu sorriso era doce. De vez em quando, suspirava. Imaginava eu que era de felicidade. Ficava tentando ler-lhe os pensamentos. Ouvia, não sei se de verdade ou apenas na minha imaginação, que ela agradecia à Deusa a coragem de ser mulher e de se manter fiel à sua tradição, reverenciando, mais uma vez, na vida atual, o sagrado do feminino. Lembrava de sua luta como mulher nos campos, onde trabalhara para o sustento dos seus. Lembrava quando usara sua sabedoria e os ensinamentos da Mãe Terra para a cura dos males e fora queimada na fogueira como bruxa. Sim, fora uma bruxa e a força dessa bruxa a acompanhara até agora. Lembrava quando facilitara a fuga de outras mulheres com seus filhos e filhas durante o caos dos campos de concentração nazista. No presente, estava orgulhosa por não ter fugido à luta e ter enfrentado o seu desafio mais ousado: entregar-se ao seu coração. O medo do desconhecido fora grande. Perceber que a vida não estava sob seu controle fora atordoante demais. Mas, conectara-se com sua alma e entendera que não precisava se acovardar. Confiara na vida e se jogara para saborear todos os riscos de uma existência cheia de amor.
Realmente, ela estava feliz. Fiquei com inveja dela.
Realmente, ela estava feliz. Fiquei com inveja dela.
21.8.07
Prisão
Meu Amado:
Estou incomunicável, trancada na torre do castelo e sendo vigiada em todos os meus passos. Papai não admite nosso relacionamento. Acha-me jovem demais e não aceita sua condição financeira e também sua idade. Diz que você vai morrer logo e que não poderá me proteger por muito tempo.
Bá me acompanha para todos os lugares e tem ordens expressas de não deixar você se aproximar. Mas, resolvi escrever-lhe para que compreenda e sinta a minha dor. Não sei se estas linhas, que revelam um pouco do meu sofrimento, conseguirão chegar às suas mãos. Vou tentar.
Sinto falta de você, do toque de suas mãos, da doçura de sua voz, do seu sorriso fácil e franco. Como lamento não termos mais nossas intermináveis conversas de fim de tarde, quando nossos olhares diziam o que as palavras não conseguiam expressar. Bastava-me olhar-lhe para que meu coração revelasse o segredo do meu amor por você.
A família planeja-me um casamento de conveniência. É isso que se espera de uma moça de bem. Não posso aceitar que a vida me traga tão amargo destino. Como poderei casar-me com alguém com quem não terei afinidades, com quem não poderei conversar ou ainda derreter-me em seus braços de carinho e desejo? Como poderei convencer-me de que viver é apenas ser uma boa dona de casa, uma esposa obediente e uma mãe exemplar, quando sinto em minhas veias o pulsar da vida que me chama para a liberdade e para as descobertas?
Triste sina a minha. Mulher subjugada numa sociedade hipócrita. Os livros têm sido meu alento. A poesia de Pessoa dorme sempre junto ao meu travesseiro. Ainda não lhe contei, mas descobri há pouco a intensidade de Florbela Espanca, também poeta portuguesa. Sei que irá adorá-la, pois fala do amor exatamente como o vivenciamos.
Sofro e sinto em meu corpo a dor de sua ausência. Os dias não têm mais o mesmo brilho. O sol já não aquece com toda sua intensidade e a lua, coitada, não ilumina mais o céu apenas para que possamos trocar beijos cheios de desejo. O vento sopra triste, cantando a canção da saudade. Ah! Quanto ainda teremos que suportar para podermos viver plenamente o nosso amor?
Para você, minha saudade, minha ternura e um beijo carinhoso pousado no canto de seus lábios.
Eternamente sua.
Estou incomunicável, trancada na torre do castelo e sendo vigiada em todos os meus passos. Papai não admite nosso relacionamento. Acha-me jovem demais e não aceita sua condição financeira e também sua idade. Diz que você vai morrer logo e que não poderá me proteger por muito tempo.
Bá me acompanha para todos os lugares e tem ordens expressas de não deixar você se aproximar. Mas, resolvi escrever-lhe para que compreenda e sinta a minha dor. Não sei se estas linhas, que revelam um pouco do meu sofrimento, conseguirão chegar às suas mãos. Vou tentar.
Sinto falta de você, do toque de suas mãos, da doçura de sua voz, do seu sorriso fácil e franco. Como lamento não termos mais nossas intermináveis conversas de fim de tarde, quando nossos olhares diziam o que as palavras não conseguiam expressar. Bastava-me olhar-lhe para que meu coração revelasse o segredo do meu amor por você.
A família planeja-me um casamento de conveniência. É isso que se espera de uma moça de bem. Não posso aceitar que a vida me traga tão amargo destino. Como poderei casar-me com alguém com quem não terei afinidades, com quem não poderei conversar ou ainda derreter-me em seus braços de carinho e desejo? Como poderei convencer-me de que viver é apenas ser uma boa dona de casa, uma esposa obediente e uma mãe exemplar, quando sinto em minhas veias o pulsar da vida que me chama para a liberdade e para as descobertas?
Triste sina a minha. Mulher subjugada numa sociedade hipócrita. Os livros têm sido meu alento. A poesia de Pessoa dorme sempre junto ao meu travesseiro. Ainda não lhe contei, mas descobri há pouco a intensidade de Florbela Espanca, também poeta portuguesa. Sei que irá adorá-la, pois fala do amor exatamente como o vivenciamos.
Sofro e sinto em meu corpo a dor de sua ausência. Os dias não têm mais o mesmo brilho. O sol já não aquece com toda sua intensidade e a lua, coitada, não ilumina mais o céu apenas para que possamos trocar beijos cheios de desejo. O vento sopra triste, cantando a canção da saudade. Ah! Quanto ainda teremos que suportar para podermos viver plenamente o nosso amor?
Para você, minha saudade, minha ternura e um beijo carinhoso pousado no canto de seus lábios.
Eternamente sua.
19.8.07
A festa
Estou feliz. Vou me casar novamente. Desta vez, sei que será por muito, muito tempo. Encontrei um homem maravilhoso e nos reconhecemos desde a primeira vez que nos vimos.
Resolvemos compartilhar nossa felicidade dando uma festa e convidamos os amigos, os familiares e as pessoas que já fizeram parte de nossas vidas. Este já é o nosso quarto casamento. Cada um tem três ex, além de outros personagens que não ficaram por um tempo maior ao nosso lado. Procuramos em nossas lembranças pessoas com quem ficamos, pessoas que namoramos, pessoas pelas quais nos sentimos atraídos. Resgatamos fotos, objetos, músicas.
Algumas amigas minhas acharam que eu tinha enlouquecido e me perguntavam se não teria ciúmes de todas elas, que quando meu amado visse suas ex se sentiria mexido e que isso poderia abalar minha relação com ele, talvez até desistisse do casamento e voltasse para uma delas. Não considerei esses pontos já que eu e ele achávamos que se havíamos chegado ao presente da forma que chegamos, devíamos muito disso ao que aprendemos com as pessoas com as quais nos relacionamos. Poderíamos agradecer-lhes a bênção de estarmos prontos para vivermos um amor tão lindo.
A festa foi super animada. Todos os ex com filhos, os meus, os seus e os nossos, com as atuais esposas, namoradas ou ficantes, ou ainda, maridos, namorados ou ficantes, amigos de várias fases de nossas vidas – descobrimos até que muitos deles eram amigos entre si –, nossas famílias, todas as pessoas que de alguma forma foram importante para nós, estavam lá, brindando à nossa felicidade. Os álbuns passavam de mão em mão e ríamos com as roupas da época e com os fatos que vivemos e que ali estavam registrados. ‘Eita, aqui foi quando brigamos por causa....’. ‘Essa aqui foi quando estávamos na festa de ...’. Tanta coisa compartilhada, tanta história a ser contada.
Momento mágico para nós dois. Coisa boba essa de dizer que uma relação não deu certo porque acabou. O poetinha já nos ensinou que todo amor dever ser eterno enquanto dura.
Ainda estamos curtindo os momentos hilários da festa. No nosso casamento, só nós dois.
Resolvemos compartilhar nossa felicidade dando uma festa e convidamos os amigos, os familiares e as pessoas que já fizeram parte de nossas vidas. Este já é o nosso quarto casamento. Cada um tem três ex, além de outros personagens que não ficaram por um tempo maior ao nosso lado. Procuramos em nossas lembranças pessoas com quem ficamos, pessoas que namoramos, pessoas pelas quais nos sentimos atraídos. Resgatamos fotos, objetos, músicas.
Algumas amigas minhas acharam que eu tinha enlouquecido e me perguntavam se não teria ciúmes de todas elas, que quando meu amado visse suas ex se sentiria mexido e que isso poderia abalar minha relação com ele, talvez até desistisse do casamento e voltasse para uma delas. Não considerei esses pontos já que eu e ele achávamos que se havíamos chegado ao presente da forma que chegamos, devíamos muito disso ao que aprendemos com as pessoas com as quais nos relacionamos. Poderíamos agradecer-lhes a bênção de estarmos prontos para vivermos um amor tão lindo.
A festa foi super animada. Todos os ex com filhos, os meus, os seus e os nossos, com as atuais esposas, namoradas ou ficantes, ou ainda, maridos, namorados ou ficantes, amigos de várias fases de nossas vidas – descobrimos até que muitos deles eram amigos entre si –, nossas famílias, todas as pessoas que de alguma forma foram importante para nós, estavam lá, brindando à nossa felicidade. Os álbuns passavam de mão em mão e ríamos com as roupas da época e com os fatos que vivemos e que ali estavam registrados. ‘Eita, aqui foi quando brigamos por causa....’. ‘Essa aqui foi quando estávamos na festa de ...’. Tanta coisa compartilhada, tanta história a ser contada.
Momento mágico para nós dois. Coisa boba essa de dizer que uma relação não deu certo porque acabou. O poetinha já nos ensinou que todo amor dever ser eterno enquanto dura.
Ainda estamos curtindo os momentos hilários da festa. No nosso casamento, só nós dois.
6.8.07
Se lave-se
A gente aprende muito numa com conversa de mulheres. Noutro dia, uma amiga estava me contando sobre uma experiência que uma amiga dela teve com o marido. Era Dia dos Namorados. Ela havia ido antes para a casa de praia deles e preparado um jantar todo romântico, com velas, flores, incenso, vinho, tudo em tons vermelho, comprado uma camisola nova, colocado uma música para dançar agarradinho, tudo no clima para uma noite de amor. Quando chegaram lá o marido não fez comentário algum sobre o cenário, pegou o vinho, abriu, encheu as taças, começou a tomar, sem brindar, e ligou a televisão. A amiga da minha amiga respirou fundo, tentou relevar, pensando que os homens são assim mesmo, e continuou tomando vinho ao lado do seu amado. Depois de algumas taças, ele virou para ela, apontou para o andar de cima e disse “Se lave-se, porque hoje vai ser por todo lado”.
Pronto, aí acabou todo o clima, todo o desejo de fazer amor. Agora, o que iria rolar, se rolasse, seria uma trepada sem graça, sem carinho. Talvez, a amiga da minha amiga nem gozasse, sem visitasse o jardim das delícias. Já o seu marido, iria fazer a farra e, o que é pior, achando-se o homem mais gostoso e poderoso do mundo. Coitado, não entende nem um pouco a alma feminina.
Mas o que me impressiona nessa história toda, muitas mulheres vivem essa mesma experiência com pequenas modificações, é o que nos leva a continuar numa relação como essa. Medo da solidão? Medo de ser rotulada? Medo de se sentir fracassada? Os homens são todos iguais?
Talvez, quando cada mulher começar a se amar, a se respeitar, tenha coragem para querer mais da vida e dos seus amores.
Pronto, aí acabou todo o clima, todo o desejo de fazer amor. Agora, o que iria rolar, se rolasse, seria uma trepada sem graça, sem carinho. Talvez, a amiga da minha amiga nem gozasse, sem visitasse o jardim das delícias. Já o seu marido, iria fazer a farra e, o que é pior, achando-se o homem mais gostoso e poderoso do mundo. Coitado, não entende nem um pouco a alma feminina.
Mas o que me impressiona nessa história toda, muitas mulheres vivem essa mesma experiência com pequenas modificações, é o que nos leva a continuar numa relação como essa. Medo da solidão? Medo de ser rotulada? Medo de se sentir fracassada? Os homens são todos iguais?
Talvez, quando cada mulher começar a se amar, a se respeitar, tenha coragem para querer mais da vida e dos seus amores.
24.7.07
Gostoso e proibido
21.7.07
Granito
Às vezes, a vida da gente é assim. As coisas do mundo nos chamam e ficamos estatelados como pedras, imóveis, com medo do movimento, do desconhecido.
‘É melhor um pássaro na mão que dois voando’, ‘seguro morreu de velho’, e são tantos os ditos da sabedoria popular que refletem a necessidade humana de segurança. O imprevisível nos assusta. Por que será que o mar nos fascina? Suas ondas indo e vindo, o insondável de sua profundidade, isso de alguma forma hipnotiza a alma. Talvez o segredo esteja aí: precisamos de ritmo em nossas vidas, a contração e a expansão do Universo, o pulsar do coração, a inspiração e a expiração dos pulmões, o dia e a noite, o sol e a lua. Uma vida cheia de certezas é tão sem graça. A aventura nos captura.
Já dizia o poeta, ‘como será o meu destino?’.
19.7.07
E agora?
Foi tomando conta de mim assim, bem devagarinho. Um sorriso, um olhar, uma afago. Palavras saíam de sua boca poesiando. A fala de sua alma espelhava o silêncio da minha. Afinidades, sonhos a realizar juntos. É como se o conhecesse desde sempre.
Ainda não sabia das divergências, pois o tempo era curto. Há apenas uma semana de curso, num lugar mágico que me arremessava para dentro do aqui e do agora, esquecia-me do que era, dos papéis que desempenhava no que convencionara chamar de realidade.
As aulas, as vivências, os lanches, os intervalos... tudo me dava oportunidade de conhecê-lo e encantar-me cada vez mais.
Comecei a perceber que intuía sua presença assim que chegava ao salão, mesmo que eu estivesse de costas. Não precisava vê-lo para senti-lo. Ansiava pelos momentos em que ficaríamos a sós à noite e conversaríamos sobre a vida, sobre o Sagrado, tendo as estrelas e a lua como companhia e o vento frio forçando-nos ao envolvimento nas cobertas.
E o tempo voava.
Na última noite, chamou-me para um passeio no alto de uma montanha que nos proporcionaria uma linda vista do lugar.
Arrumei-me com capricho, o coração já disparado pela saudade que sua ausência iria me causar. Fomos caminhando em silêncio. Conversamos, ouvimos música, boa música, tomamos vinho. Levantou-se, estendeu-me a mão “Vem, vem aqui que eu quero dançar com você.”. Ficamos dançando. Já não me senti a na Terra. Lágrimas caíram dos meus olhos e molharam sua camisa. Sentia seu cheiro, a textura de sua pele, o pulsar de seu coração.
Nenhuma palavra dita. O silêncio nos tornava uno.
Suas mãos começaram a deslizar por minhas costas, fazendo-me derreter. Afagou meus cabelos. Puxou meu rosto para perto do seu e começou a beijar meus olhos, minha face, prolongando o desejo de sentir sua boca na minha. Deliciosa tortura. Finalmente, o longo beijo. Beijo que toma, que entrega, beijo que deixa as pernas bambas.
Acordei. Não acreditei que tudo aquilo fora um sonho. As alianças em minha mão comprovavam que não estava mais habitando o mundo do meu inconsciente.
Ainda não sabia das divergências, pois o tempo era curto. Há apenas uma semana de curso, num lugar mágico que me arremessava para dentro do aqui e do agora, esquecia-me do que era, dos papéis que desempenhava no que convencionara chamar de realidade.
As aulas, as vivências, os lanches, os intervalos... tudo me dava oportunidade de conhecê-lo e encantar-me cada vez mais.
Comecei a perceber que intuía sua presença assim que chegava ao salão, mesmo que eu estivesse de costas. Não precisava vê-lo para senti-lo. Ansiava pelos momentos em que ficaríamos a sós à noite e conversaríamos sobre a vida, sobre o Sagrado, tendo as estrelas e a lua como companhia e o vento frio forçando-nos ao envolvimento nas cobertas.
E o tempo voava.
Na última noite, chamou-me para um passeio no alto de uma montanha que nos proporcionaria uma linda vista do lugar.
Arrumei-me com capricho, o coração já disparado pela saudade que sua ausência iria me causar. Fomos caminhando em silêncio. Conversamos, ouvimos música, boa música, tomamos vinho. Levantou-se, estendeu-me a mão “Vem, vem aqui que eu quero dançar com você.”. Ficamos dançando. Já não me senti a na Terra. Lágrimas caíram dos meus olhos e molharam sua camisa. Sentia seu cheiro, a textura de sua pele, o pulsar de seu coração.
Nenhuma palavra dita. O silêncio nos tornava uno.
Suas mãos começaram a deslizar por minhas costas, fazendo-me derreter. Afagou meus cabelos. Puxou meu rosto para perto do seu e começou a beijar meus olhos, minha face, prolongando o desejo de sentir sua boca na minha. Deliciosa tortura. Finalmente, o longo beijo. Beijo que toma, que entrega, beijo que deixa as pernas bambas.
Acordei. Não acreditei que tudo aquilo fora um sonho. As alianças em minha mão comprovavam que não estava mais habitando o mundo do meu inconsciente.
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