24.8.09






Participei, no stand da Editora Coqueiro, da Feira de Livros do festival recifense de literatura, A Letra e A Voz, lançando meu primeiro livro infantil, o Trocando de Lugar.
A organização do evento esteve impecável. Pena que não houve muita divulgação, mas o público que foi à tradicional feira de artesanato da Bom Jesus, prestigiou os escritores e encheu os corredores com alegria e entusiasmo.
Ana, com sua dedicação, fez com que tudo ficasse mais divertido. Os clics de amor de Roberto e Gabi também me fizeram sorrir com a alma. Ter minha filha como assessora de imprensa foi algo mágico, pois era com ela - e com Rodrigo e Pedro -, que deitei na cama e contei essa história, entre mamadeiras e fraldas, e que hoje autografei para pessoas importantes em minha vida.
Obrigada pelo carinho e pelo apoio.

22.8.09







Estive na Fliportinho para o lançamento do meu primeiro livro infantil: Trocando de Lugar, uma história que inventava para meus filhos, no aconchego de nossa cama, entre fraldas e mamadeiras. O pessoal da Coqueiro, Ana e Igor, é quem está fazendo a edição e fiquei muito feliz pelas raízes pernambucanas de minhas primeiras letras. Camila Cahú deu uma nova vida ao texto, quando o ilustrou com tanto carinho.
No evento, tive a acolhida alegre de Pedroca e compartilhei o momento com duas outras autoras, cordelistas da Coqueiro, que me incentivaram no momento da primeira subida ao palco.
O ambiente não poderia ter sido melhor, bem ao lado do mar transparente de Porto de Galinhas.
Contei, também, com o apoio do meu fiel escudeiro, Sr. Luciano, e da minha filha-fotógrafa, Gabriela.
Para mim, foi o início da realização de um sonho e fiquei muito feliz com a presença de pessoas que amo.
Para todos e todas, minha gratidão.







16.8.09










Fotos: Roberto Arrais
Por que destruímos? Agredimos a natureza com plásticos, alumínio, esgoto, isopor, vidro, achando que éramos os senhores absolutos do planeta Terra.
Agora é chegada a hora do acerto de contas. O mar toma de volta o que dele foi tirado.
Por que não deixamos apenas nossas pegadas na areia?












Fotos: Roberto Arrais

Existe espaço mais democrático que esse? Todos, independente de credo, cor ou religião, desfrutam das belezas da natureza e das delícias de uma praia de ;aguas mornas num dia de sol.
Homens pescam, - um até pegou uma arraia, pobrezinha -, outros jogam bola; já alguns, trabalham, vendendo raspa-raspa, óculos, papagaio. Mulheres também oferecem comida e artesanato. Conheci o filho de uma delas que apresentava no peito os colares feitos pela mãe.
Até um caramujo arrumou seu lugar na carona de nossa tartaruga de barro!
Fiquei me perguntando:
- Por que também não pode ser assim na vida dos homens e das mulheres em sociedade?







Fotos: Roberto Arrais

Hoje fui andar pela praia de Maria de Farinha, junto com meu marido, e recebemos muitos presentes do Sagrado. O sol iluminava o mar e refletia sua luz num céu azul. O vento soprava com força e fazia as areias dançarem com alegria. Pássaros, caravelas, conchinhas, algas, coqueiros, fungos... tanta vida escondida naquela paz.
Só precisamos de olhos para ver e que, ao verem, transbordaram lágrimas de reverência diante da abundância e da diversidade do Universo.
É assim, na simplicidade que sou feliz.







15.8.09


O telegone toca e a secretária novata da casa atende.
- Alô! Boa tarde!
- Alô! Por favor, eu queria falar com Gabriela.
- Quem é?
- É o pai dela.
- Um minuto... Rodrigo, é seu pai.
- Alô! Oi, Pai. Hein?!!! Ah! Oi, Eduardo. Vou chamar Gabi.
Risadaria geral.
- Pedro, Lena pensou que Eduardo era painho.
Mais risos.
Pergunta a secretária, mais confusa ainda:
- E não são todos filhos do mesmo pai? Por isso que Raphael chegou outro dia e me disseram que era irmão dos meninos, mas não era filho da patroa. E teve uma tarde que Gabi trouxe uma irmã, disse que tem duas, que também não são filhas de Dona Patrícia.
___________________________________________
Quem olha assim, de fora, pode até pensar numa promiscuidade, que os filhos são todos problemáticos, que não há harmonia no lar. Mas, deixando o preconceito de lado, as novas arrumações familiares, com os meus, os seus, os nossos, os do ex, tudo junto, têm fornecido um modelo de relacionamentos íntimos.
Aprende-se a respeitar a diversidade, os hábitos, os costumes, de cada núcleo familiar de origem, e se introduzem formas diferentes de se viver, o que só expande o universo de cada um dos membros da nova comunidade que convive no dia a dia.
No nosso caso, na nossa casa, tudo isso é vivido com muita tranqüilidade, alegria e amor. Não são poucos os momentos que soltamos grandes gargalhadas, com histórias compartilhadas à mesa ou com leseiras que acontecem quando estamos juntos.
Com certeza, estamos felizes, como vocês podem ver nessa foto, onde Roberto está ocupando a função paterna das crianças e formando uma nova família que comemora mais um aniversário. Vinte e uma anos, Gabi! Todos nós desejamos que seja feliz, que tenha juízo e USE.
- Olha o passarinho!

3.8.09


Era uma vez um rei muito poderoso e muito triste. Os seus súditos o adoravam porque era muito bondoso. Mas, apesar de se sentir querido por todos, vivia numa imensa solidão.
O rei gostava muito de pintar as belas paisagens de suas terras. Registrava flores, pássaros, árvores, frutos, animais. As paredes do castelo eram cobertas com as telas onde rei colocava a sua forma sensível de perceber o mundo. Porém, o rei não tinha com quem compartilhar tanta beleza.
Era muito inteligente e fazia discursos maravilhosos, ensinando ao povo tudo que aprendera em sua vida de serviços a todos os habitantes de suas terras. Também tinha mania de colecionar coisas e gostava muito de caminhar por estradas calmas, onde podia contemplar a natureza.
Num desses passeios, o rei olhou para uma flor e viu que nela havia um brilho estranho. Aproximou-se mais um pouco e descobriu uma linda fadinha com asas brilhantes. Escondeu-se atrás de uma árvore e ficou ouvindo a fadinha contar histórias para um grupo de crianças que sentara na grama do jardim. Encantou-se com a sabedoria da fadinha e pensou que se ela estivesse em sua companhia não se sentiria mais sozinho porque teria sempre alguém para conversar e para compartilhar a forma mágica de estar no mundo.
Esperou a fadinha terminar a história, as crianças irem embora, caminhou até ela e a convidou para morar no palácio ao seu lado. Contou sobre as telas que pintava, sobre os livros que tinha em sua biblioteca, sobre seu prazer de conversar e, também, de contemplar as estrelas. Ficaram conversando, na mais perfeita harmonia, durante muito tempo. A fadinha sentiu que tinham muito em comum e resolveu seguir o rei.
Foram para o castelo e viveram felizes por toda a eternidade.
Mas, até a eternidade tem seu tempo...
O rei era um homem muito ocupado, pois tinha que cuidar de tudo que acontecia no reino: cuidava do povo, das terras, dos animais, das plantas. Quase não saía mais com a fadinha para pintar as belas flores do campo que viam pela janela de seu quarto. A fadinha não contava mais com sua presença nas refeições e comia sempre sozinha. Foi ficando triste, o brilho de suas asas foi ficando fraco, até que não agüentou mais a solidão e apagou sua luz.
A faxineira dos aposentos do rei não percebeu que a fadinha estava caída no chão, varreu toda a sujeira e colocou a fadinha junto com o lixo.
À noite, quando o rei chegou de mais uma de suas inúmeras reuniões, percebeu que a fadinha não estava à sua espera, como de costume. Procurou-a por toda a parte e não a encontrou. Pensou que talvez ela tivesse ido dar um passeio, já que fazia muito tempo que não olhavam as estrelas juntos. De repente, começou a lembrar que a tinha visto acabrunhada pelos cantos, que não ouvia mais sua risada e caiu em si: ele a tinha excluído de sua rotina tão cheia de compromissos e agora descobrira que ela havia ido embora. Como fora bobo! Como não percebera o tesouro que tinha ao seu lado?!
No outro dia, apesar do sol não ter mais o mesmo brilho para ele, pois estava sem sua fadinha, levantou-se e seguiu para a sua vida de rei poderoso. Soube, depois, que uma fadinha quase morta tinha sido encontrada por um simples camponês no meio de uma montanha de lixo. Esse homem cuidara da fadinha e ela recuperara o seu brilho e a sua alegria e agora eles viviam muito felizes numa casinha linda, cheia de flores e de histórias para contar.

26.7.09




Fotos: Roberto Arrais


Minha filha brinca sempre comigo dizendo que sou a única mulher que conhece que teve um namorado, dois ex-maridos e três maridos. Realmente, é um percurso diferente da maioria e, quando me permito refletir sobre ele, fico feliz pelas maravilhosas oportunidades que tive para amar, porque amei muito cada um deles e compartilhamos juntos momentos inesquecíveis para mim. Foi com eles que pude confirmar a lição aprendida com meu pai e meu irmão: os homens prestam, sim.
Acredito que o que nos conecta no Universo, com nossas diversas experiências é a energia que emanamos. Por isso, se estamos numa freqüência mais leve, mais sutil, atrairemos uma energia semelhante para nossas vidas. Procuro, nem sempre consigo, vibrar em coisas boas. Não gosto de assistir a filmes de violência, não vejo aqueles famosos programas de TV que mostram crimes, assassinos e estupros. Apesar de evitar esse tipo de coisa, não me furto de conviver com as sombras, as minhas e as dos outros, e tenho amigos de verdade que hoje vivem em presídios por terem matado outras pessoas.
Mas, voltando ao ponto dos meus ex, percebo o quanto ainda os amo, mesmo que de uma forma diferente do amor que senti e que me dava vontade de tê-los como companheiros nessa viagem incrível que é a vida. Claro que a marca de ex faz com que todos eles estejam associados a momentos de muita dor. Não existe separação sem sofrimento e sempre disse para amigas e amigos que ‘não desejo isso para meu inimigo’ e ‘só sabe, quem passa’. Porém, sou grata a cada um pelos carinhos trocados, pelas descobertas favorecidas pelas intervenções deles, e, principalmente, por terem me ajudado a me tornar uma pessoa melhor, mais inteira, mais verdadeira. Vivi com eles fases diferentes e reconheço que todos esses relacionamentos deram certo, só que para aquela etapa em que estávamos lado a lado.
Não poderia ter continuado o namoro quando já deixara de ser menina e ansiava por me tornar mulher, mas como fui feliz nessa relação que durou quase seis anos. Aprendi o que era amar e ser amada, o que era um colo. Até hoje me lembro, com detalhes, dos segredos que compartilhamos. Veio a minha primeira grande metamorfose e a ruptura foi inevitável.
Comecei minha vida profissional, faculdade, trabalho, liberdade. Livrei-me das amarras da censura religiosa e caí no mundo, sedenta de aventuras. Descobri o calor de quarenta graus, a independência, a alegria. Casei-me e junto com meu marido realizei muitos projetos. Aqui achei que tinha o controle do roteiro de minha vida nas mãos. Nasceu nossa filha e o chamado da mulher que existia em mim soou mais alto do que qualquer outra coisa. Já não queria mais o mundo do sucesso profissional, da exatidão dos computadores. Queria conhecer as pessoas no que sentiam por trás das aparências. Nova metamorfose, outra ruptura, muita dor.
Nessa etapa de minha vida, fui para o fundo do poço. Violentei-me, sofri muito mais do que fora capaz de imaginar. Fiquei muito só e me percebi despreparada para enfrentar algo tão grande, pois o monstro que tive que enfrentar era muitas vezes maior do que eu.
Transformei muitas coisas e me permiti recomeçar. Novo marido, dois filhos, nova profissão, nova forma de trabalhar. Até parecia que a vida tinha entrado nos trilhos e que a calmaria desse caminho iria me acompanhar até a hora de passar para o lado de lá.
Aprendi sobre os mistérios do mundo espiritual, manifestei na Terra a Energia do Sagrado. Quando integrei esses conhecimentos à minha Alma, uma nova metamorfose aconteceu e saí mais uma vez da zona de conforto. Percebi que chegara a hora de integrar todas as minhas aprendizagens ao longo da jornada percorrida numa experiência única: queria amar e ser amada, queria a alegria e a independência, queria a energia feminina se expressando por todos os meus poros, queria transbordar para todo o planeta a provisão de amor com que fui sendo abastecida pela vida afora. Chegara o momento de a lagarta virar borboleta mais uma vez.
Outra separação, muita, muita dor, muitas perdas. Perdi marido, lares, amigos. Mas resgatei-me e segui feliz o meu caminho. Então, já que cuidara do meu jardim com carinho e respeito, escutando sempre os sinais do Universo, Ele me enviou um presente maravilhoso e pude, finalmente, encontrar o meu par nessa vida. Agora caminhamos juntos e nos metamorfoseamos juntos também.
Mas, por amá-lo muito no meu presente, posso dizer que não amo mais os que foram tão importantes no meu passado? Claro que não. Hoje, se tirasse na Sena, ajudaria cada um deles a realizar seus sonhos por aqui: ao namorado, daria um Passat vermelho e uma asa delta; para o primeiro ex, uma fazenda cheinha de bichos com filhotes; para o segundo ex, uma lancha e um apartamento na beira-mar do bairro mais chique da cidade. O engraçado é que essa é minha percepção do que eles gostariam de ter a partir de minha convivência com eles à época do amor que vivemos. Com certeza, hoje estão diferentes e não sei mais quem são e quais os seus sonhos. Mas gosto de sentir que os guardo num cantinho especial do meu coração e que reverencio as histórias que compartilhamos juntos.
Se agora sou uma pessoa melhor, uma mulher mais bonita, devo muito desse processo de transformação a cada um deles, pois foi através de nossos relacionamentos que fui sendo borboletas, claro que diferentes, como novas cores, experimentando novos jardins, mas sempre uma ‘metamorfose ambulante’.