5.4.10






Nem sei se podemos chamá-lo apenas de xamã. Sabe tanta coisa... sabe sobre xamanismo, claro, e também sobre conhecimentos de antigas tradições orientais. Entende de alimentação, de respiração, de corpos - físico e sutis. Porém, o mais importante nele é a energia amorosa que emana e a alegria que transmite.
Tivemos o prazer de recebê-lo em nosso paraíso e ficamos encantados com sua simplicidade. Compramos um monte de frutas, chás, saladas, sucos e ele não comeu nada, nadinha. Tomou foi aguinha, nadou no mar à noite, banhado pela luz da lua, e trabalhou muito, tendo uma paciência de Jó com nossas perguntas tolas. Hoje, pela manhã, antes da palestra na Secretaria de Meio Ambiente do Recife, usufruimos de sua energia em práticas matinais e em um delicioso banho nas mornas águas do nordeste brasileiro.
Só a agradecer.
Namastê!



3.4.10

Liberdade





Há tempo que sei que o rancor, a mágoa, a raiva, todos esses sentimentos que nos colocam numa energia densa, fazem muita mal a nós mesmas. Mas, como humana que sou, carrego-os, mesmo contra minha vontade.
Ontem, porém, alguma coisa mudou depois de um ritual xamânico que fiz para limpar meu karma e minha árvore genealógica. Nada demais aconteceu no grupo sob a orientação do xamã siberiano. Conversas, meditação, oração, conexão com o sagrado, conexão com os quatro elementos - ar, terra, água e fogo -, música, fogueira e muito amor para todos aqueles que nos antecederam, que fazem parte de nossa vida e que seguirão depois de nós.
Lá no escuro da beira do mar, olhei para o céu, vi estrelas, muitas estrelas, e me emocionei ao me perceber parte deste Todo mágico e perfeito. Senti-me mais leve e mais livre.
Algumas pessoas me perguntam se isso tudo não é loucura, charlatanismo, ingenuidade minha. Não posso explicar com as palavras usadas pelo paradigma científico que temos. Apenas sinto na minha Alma e vivo as transformações que ocorrem em minha vida, conectando-me com o meu caminho de desenvolvimento. Só isso. Este é o meu jeito de ser feliz. Respeito os caminhos das outras pessoas e espero que suas escolhas também as façam felizes como eu sou.
No ritual de ontem, quando formamos um círculo e nos demos as mãos, após um momento de limpeza de energia, começou a cair uma chuva fina sobre o grupo.No témino da conexão energética a chuva parou e todos nós sorrimos com a coincidência. Sincronicidade, diria Jung; bruxaria, diriam muitos. Não me importam os conceitos. Registro o fato e contra fatos não há argumentos.
Aconteceu de novo na praia quando terminamos o ritual: uma chuva fina começou a cair sobre nós. Sorrimos novamente e celebramos a linguagem que a Energia Cósmica utilizava para mostrar sua existência para aqueles que ainda precisam de provas para crer.
O xamanismo não é uma seita. Propaga, apenas, a conexão com o sagrado, com a energia cósmica, manifestada na natureza, e nos convoca para a experiência de conexão com o Todo. A partir daí, o processo de individuação é único e não há regras a serem seguidas. Eu diria, poeticamente, que o caminho de cada um é aquele que tem a energia do coração.
Bem, hoje eu já fiz uma coisa que meu coração queria com muita força. Estou mais feliz e, principalmente, mais inteira.
Namastê!

2.4.10






Reencontrar xamãs que me ensinaram na Sibéria faz meu coração derreter de carinho e amor. Tantas coisas mudaram em minha vida de lá para cá. Fiquei tão mais sabida. Mudou minha forma de compreender o mundo, mudou, e muito, a força do meu campo energético. Quando olho para trás e vejo aquela que fui, dou graças ao Universo pelas transformações que ocorreram. Sempre muito inteligente, no plano da racionalidade, tive que trilhar um caminho bonito para me tornar uma mulher sábia. Integrei o feminino que morava em mim. Permiti-me saber-me bruxa - ou xamoa - e isso me faz viver muito mais feliz.
Claro que sei que eles, eu, somos apenas canal da Energia Cósmica, mas foi graças ao trabalho de cada um deles que mudei de dimensão, como diria um velho xamã amigo meu.
Celebro com vocês, amigos nesta jornada, o meu renascimento.
Namastê!


28.3.10

A Hora do Planeta









Sábado à noite, ponte Duarte Coelho às escuras, turma de amigos, um bom vinho acompanhado por frios, pães e patês, seresta ao som de flauta e violão, velas, tochas e muita emoção.
Foi assim ontem quando participamos da ação da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura da Cidade do Recife voltada para o movimento mundial Hora do Planeta. Ficamos uma hora conversando sobre o aquecimento global, sobre como é urgente a preservação da natureza, sobre como Gaia está clamando por cuidados.
Algo mágico, surreal.
Quem não foi, perdeu. Já fomos convocados para promovermos mais encontros assim. Estamos pensando na Rua da Aurora, no Cais Zé Mariano, recantos e encantos de nossa cidade linda que nos acolhe com seus rios e suas pontes e nos convida para colocá-la no coração.
Da próxima vez, participe.







13.3.10









Às vezes, quando me deito para dormir, fico pensando na minha agenda do dia e me surpreendo com a quantidade e com a diversidade das coisas que vivi. Nestas últimas semanas observei mais esses aspectos e fiquei feliz com o que encontrei em minhas lembranças. Fiz palestra sobre o uso das tecnologias na educação, numa sala super moderna em uma universidade particular; dois dias depois estava numa escola pública municipal, onde atuo como voluntária, acompanhando minha filha que foi trocar experiências com os alunos sobre sua exposição de fotografias de flores; ainda apareci por lá, em um outro momento, para conversar sobre mulheres. E, por falar nelas, depois da palestra cheia de objetos tecnológicos, deliciei-me pintando caixinhas de madeira para distribuir com mulheres especiais na comemoração do seu dia e as distribui numa outra palestra que fiz para mulheres que cuidam do meio ambiente da cidade e para as que eu cuido no consultório, além de algumas outras que cuidam de mim. Comprei remédios para meu pai, organizei, junto com marido e filhos, uma roda de amigos aqui em casa para conversarmos sobre o mundo - uma experiência fantástica. Também organizei uma almoço para primos queridos que vieram da Holanda e fui para a cozinha preparar alguma coisa especial para compartilharmos à mesa, saboreando um bom vinho. Trabalhei no consultório, trabalhei como escritora, fiz feira, naveguei na internet, recebi agulhas e energia de uma bruxinha linda, divulguei o trabalho de uma xamoa que encontrei na Sibéria, tomei suco de laranja, ouvi música, dei e recebi carinho de pessoas muito importantes para mim, acompanhei meu marido no enterro de uma amiga querida. No dia das mulheres, depois de doar energia, fui, junto com minha filha, para a praia para tomar banho de mar e me reabastecer - entrei em suas águas mornas às cinco horas da tarde, com o sol se pondo. Preparei para ela um delicioso banho de banheira, com direito a incenso e velas, e joguei tarô para que o Universo a orientasse neste novo ano que se inicia. Coloquei água nas plantas de nosso jardim. Visitei outra faculdade com possibilidades de trabalho. Distribui mudas de árvores na ponte, fui homenagear um homem feito de ferro e flor. Conheci um santuário escondido entre portas e portais numa casa tão mágica quanto o buraco da árvore de Alice, em pleno Recife Antigo. Cantei parabéns para nossa cidade e fui visitar a exposição de minha prima num restaurante aconchegante. As coisas não estão narradas exatamente na ordem em que aconteceram, mas retratam o meu cotidiano nestes últimos dias. Quando cheguei na terapia, conversei sobre tudo isso e sobre como estava me sentindo inteira e feliz por transitar por estes papéis sem me sentir dividida. Lembrei-me do presente que dei a minha filha linda no dia das mulheres: um globo iluminado com um cartão que dizia "O mundo é uma invenção sua. Ilumine-o com sua luz". Tenho inventado o meu mundo, tenho escrito a minha história e estou feliz. Se a amiga morte chegar, irei tranquila pois vivi a vida que quis e não guardei meus desejos escondidos em meu coração.

3.3.10

Ontem à noite meu amado irmão me ligou. Falou de suas dores, suas decepções. Senti meu coração chorar junto com o seu, pois, Freud explica, amo-o como a um filho mais velho. Quase na hora de desligarmos, veio com essa:
- Mulher, cria juízo. Não bota na internet que transou quando e onde.
Sorrimos e tchau.
Fiquei pensando onde eu tinha colocado local, data e hora dos momentos em que fiz amor. Fui ler meus posts no blog e soltei uma imensa gargalhada. O coitado tinha entendido tudo errado. Quando falei 'fizemos amor', estava me referindo a mim, à lua e ao mar. Mas perdoei sua ignorância, afinal ele é médico, não é deus, aquele que tudo sabe.
Lendo uma entrevista de um famoso escritor espanhol que gosta de misturar histórias verídicas com situações inventadas a partir de fatos reais, encantei-me com uma observação sua:
- Se um texto não é crível, não é bom.
Orgulhei-me de minha autoria. Escrevo coisas que nunca aconteceram de verdade e as pessoas acreditam que todas são reais. Claro que todo texto inventado traz a marca da subjetividade de quem o escreve, mas, quando se cria, a imaginação é livre e tudo pode acontecer.
Só para esclarecer.

28.2.10










Fotos: Roberto Arrais

Ainda não acabou. À tarde, depois do trabalho, preparamos um delicioso almoço. Batatas, orégano, cebola, azeite, alho, queijo. Dançamos enquanto estavam no forno e tomávamos cerveja e vinho. Arrumei a mesa na varanda, colhi flores no jardim. Colocamos um cd de ópera, esquecido em nossa casa por uma pessoa muito especial. O mar continuava tocando sua música e uma lavadeira veio passear por nossa grama. Lavamos tudo, tomamos banho, deitamos na rede para ler um bom livro e esperar a lua nascer. Noite de lua cheia. De repente, por trás da nuvem, ela vem surgindo, enorme, linda, amarela. Ficamos hipnotizados. Ele fotografa tudo e corremos para a beira da praia. Sinto sua energia poderosa a iluminar o mar. Sobe mais um pouco e forma um caminho de luz em sua direção. Quero segui-la. Estou completamente enfeitiçada. Por pouco não me atiro na água e vou correndo abraçá-la. Este não é um desejo só meu, pois vejo uma maria farinha sair de sua toca e olhar para ela também. Aquele brilho acarinha tudo. O oceano reverencia seu poder e se deixa seduzir. Fazemos amor. O Sagrado nos beija e sussurra aos ouvidos dos que sabem ouvir: tudo isso é para você.








Fotos: Roberto Arrais

Estive conversando com um grupo de mulheres, na faixa de 40/50 anos, sobre as crises da meia idade, finais de casamento, amores nessa fase da vida. Todo mundo com muito medo do presente e do futuro, pois homem é artigo de luxo, trabalho não se acha fácil, filhos cresceram, foram para o mundo e a casa está vazia. Às vezes fica difícil viajar para dentro, olhar para o que se fez da vida, assumir a responsabilidade pelo caminho trilhado e descobrir que tudo poderia ter sido diferente se a coragem estivesse mais presente, impulsionando a realização dos sonhos, inclusive dos mais secretos. Acho que dá um gosto amargo na boca, um certo arrependimento e uma raiva direcionada para si própria.
Sou daquelas que acredita que enquanto o coração bater, dá tempo de corrigir a rota e ser feliz de verdade. Sinto, na minha alma, que tudo está conectado, que cada uma tem um propósito aqui neste planeta e que só temos que aprender a ler os sinais e seguir nossa jornada. Astrologia, tarô, terapia, são algumas ferramentas que nos ajudam a ler mais facilmente a mensagem cifrada que trazemos em nossos corações.
Vivo da forma que penso e escrevo aqui no blog. Claro que nem tudo são flores, mas considero que espinhos são normais nas rosas que colho. Se quero seu perfume, sua beleza, sua textura macia, tenho que aceitar a rosa inteira. Vem dando certo, pois a cada dia sou mais feliz, mais livre, mais corajosa.
Comecei meu final de semana com uma ida ao cinema, junto com meu marido e minha filha. Um filme maravilhoso que fala sobre divórcios, reencontros e encontros. Inteligente, engraçado, tocando quem já viveu situações semelhantes. Pipoca, refrigerante, risos. Delícia de programa com pessoas que amo. No sábado, pela manhã, fui conversar sobre tecnologia na educação numa universidade que já foi minha casa de trabalho. Meu marido foi assistir e, segundo ele, ficou completamente encantado com o que viu e ouviu e, claro, com a esposinha dele. Almocei com ele, meus filhos e meu pai um delicioso escondidinho de charque, regado a um bom vinho. Compramos jornais e fomos para nossa casa de praia. Banho de mar, encontro com a lua, flertes com maria farinha. Leve e feliz, desenhei na areia nossas iniciais dentro de um coração. Coisa de adolescente, de criança. Será que vou deixar de ser uma, já que sempre olho a vida com deslumbramento?! Banheira morninha, sais e espuma, velas com cheiro de chocolate, massagem, amor, sono tranquilo numa cama gostosa. O sol acordando e nos convidando para um outro dia mágico. Água para as plantas do jardim. Visitas de borboletas, grilos, formigas, besouros, abelhas. Flores se abrindo, tomates crescendo, jabuticabas no caule. Delicioso café, com mamão, suco, sucrilhos. Jornais que não dizem muita coisa. Caminhada pela praia, banho num mar sequinho e calmo. Trabalho, computador, fotos, leituras, escrita. Para mim, tudo perfeito e só obrigada.
Para este grupo de mulheres com quem conversei certamente este relato de um final de semana perfeito, não teria sua cumplicidade. Calmo demais, morgado demais. Sei que é maravilhoso para mim, para minha forma de viver o mundo. O que desejo é que cada uma delas encontre o seu próprio jeito de ter um final de semana perfeito. Afinal, ser feliz é tudo que se quer, como diz aquela música.